Renato Russo antes da Legião: o documento que revela o artista em formação
Muito antes de se tornar um dos maiores nomes da música brasileira, Renato Manfredini Júnior, conhecido como Renato Russo, já apresentava uma trajetória artística intensa, plural e inquieta. Um documento da virada dos anos 1970 para os 1980 revela um retrato precioso desse período formativo.
Nascido no Rio de Janeiro, em 27 de março de 1960, Renato dominava diversos instrumentos — baixo, guitarra, violão acústico, violão folk de 12 cordas — e já se colocava como líder do grupo Aborto Elétrico, fundado em 1978, embrião do que viria a mudar definitivamente o rock nacional.
As apresentações aconteciam em espaços emblemáticos de Brasília: Cafoto (404), Gilberto Salomão, Feira de Música, Teatro Galpão, Giraffa’s (106 Sul) e até no Ginásio da Asa Norte, mostrando um artista ativo, presente e inquieto na cena cultural da capital.
Mas Renato não se limitava à música. Atuou intensamente no teatro, participando de montagens na Cultura Inglesa, como The Real Inspector Hound, The Magic Fish, The King’s Bed e An Inspector Calls, exercendo funções de ator e sonoplasta. No cinema, integrou a produção do filme “O Último Rango”, de J. Pingo, como músico, ator e cenógrafo, além de realizar o show “A Última Festa”, no Clube da Imprensa.
Acadêmico, estudava Comunicação Social no Centro de Ensino Unificado de Brasília e participou ativamente de apresentações musicais na UnB entre 1979 e 1981. Também possuía carteira de Músico Amador, emitida pela Sociedade de Músicos do DF.
Na literatura, publicou em 1979 o livro de poesia “Sinal – Agregado Poético”, antecipando a força lírica que mais tarde marcaria suas canções. Seu alcance já ultrapassava fronteiras: teve texto publicado no jornal inglês Melody Maker, escrevendo sobre Sid Vicious, o que lhe rendeu como prêmio gravações inéditas dos Sex Pistols e do The Clash — uma conexão direta com o coração do punk mundial.
Renato Russo tentou ainda o MPB-Shell de 1981, sem sucesso. Um detalhe que hoje soa quase irônico, diante do impacto que sua obra teria poucos anos depois.
O documento se encerra com uma definição precisa e honesta:
antes de tudo, Renato Russo era instrumentista, compositor e cantor.
Um artista em estado bruto, em construção — mas já absolutamente real.
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