Estas fotos mostram que a violência na política é uma longa tradição na história do Brasil - publicado 10 de Maio de 2018, 5:36 p.m. Mauro Albano-Editor-assistente, BuzzFeed News, Brasil
A exposição "Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964" retrata execuções, bombardeios, revoltas populares e golpes — o jeito brasileiro de fazer
Campanella Neto/CPDOC JB
Rendição de amotinados durante a Revolta de Aragarças, em Goiás, em dezembro de 1959.
A exposição Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964, em exibição no Instituto Moreira Salles em São Paulo, reúne 338 imagens de 30 coleções e do acervo do próprio IMS para mostrar o lado mais brutal do jeito brasileiro de fazer política.
Da proclamação da República (1889) ao golpe que depôs o presidente João Goulart (1964), as fotos escolhidas pela curadora Heloisa Espada retratam rebeldes armados, ataques a redações de jornais e seus equipamentos — como nas manifestações após o suicídio de Getúlio Vargas (1954) — e muita gente presa, ferida ou morta.
A exposição traz imagens já consagradas, como as de Flávio de Barros sobre a Guerra de Canudos (1896-1897), e trabalhos pouco conhecidos, como o do sueco Claro Jansson, que realizou registros incríveis da Guerra do Contestado (1912-1916).
"A imagem do país pacífico de população cordial esvanece", diz a curadora. A seguir, algumas das fotos mais impactantes da exposição.
Revolução Federalista (1893-1895)
Affonso de Oliveira Mello. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil
Foto de Affonso de Oliveira Mello mostra a execução de um rebelde durante em Ponta Grossa (PR), 1894, durante a Revolução Federalista.
Guerra de Canudos (1896-1897)
Flávio de Barros. Arquivo digital. Acervo Instituto Moreira Salles/© Museu da República
“Prisão de jagunços pela cavalaria”, diz a legenda original de Flávio de Barros, autor da foto feita em Canudos (BA), em 1897.
Flávio de Barros. Arquivo digital. Acervo Instituto Moreira Salles/© Museu da República
“400 jagunços prisioneiros” é a legenda original de Flávio de Barros, autor da foto tirada na Guerra de Canudos, em 1897.
Revolta da Chibata (1910)
Acervo Instituto Moreira Salles
Registro de fotógrafo desconhecido mostra a entrada para o Batalhão Naval, na Ilha das Cobras, no Rio, durante a Revolta da Chibata, em 1910.
Guerra do Contestado (1912-1916)
Claro Jansson. Gelatina/prata. Coleção Jandira Jansson
Vaqueanos da Serraria Lumber, em Três Barras (SC), em foto de 1915.
Revolução de 1924
Fotógrafo desconhecido. Cartão-postal, gelatina/prata, 8 x 13 cm. Coleção Monsenhor Jamil Abib
Uma casa na Vila Mariana, em São Paulo, afetada por um bombardeio durante a Revolução de 1924.
Aniceto de Barros Lobo. Acervo Instituto Moreira Salles.
A Secretaria do 1º Batalhão do Quartel da Luz, em São Paulo, 1924.
Revolução de 1930
Fotógrafo desconhecido. Agência O Globo
Empastelamento do jornal Gazeta de Notícias, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, em outubro de 1930.
Intentona Comunista (1935)
Fotógrafo desconhecido. Coleção Diários Associados – Rio de Janeiro/Acervo Instituto Moreira Salles
Incêndio no quartel do 3° Regimento de Infantaria, no Rio de Janeiro, em novembro de 1935.
Cangaço (décadas de 1920 e 1930)
Fotógrafo desconhecido. Coleção Ruy Souza e Silva.
Maria Bonita, Virgulino Ferreira (o Lampião) e Diabo Loiro, em foto sem data — provavelmente do final da década de 1930.
Reações ao suicídio de Getúlio Vargas (1954)
Fotógrafo desconhecido. Agência O Globo
População ataca veículos do jornal O Globo, no Rio de Janeiro, em agosto de 1954.
Revolta de Jacareacanga (1956)
José Medeiros e Leopoldo Oberst. Arquivo digital. Agência O Globo
Capitão Cazuza morto por tropas do Exército em Jacareacanga (PA). Foto publicada na revista O Cruzeiro de março de 1956.
Golpe de 1964
Fotógrafo desconhecido. Coleção Diários Associados – Rio de Janeiro/Acervo Instituto Moreira Salles
Polícia contém o avanço da multidão durante o Comício das Reformas, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964, poucos dias antes do golpe militar que derrubou o governo de João Goulart.
Evandro Teixeira. Arquivo digital. Acervo Evandro Teixeira
Tomada do forte de Copacabana, no Rio, em 1º de abril de 1964.
Veja mais informações sobre a exposição no site oficial.
Contact Mauro Albano at mauro.albano@buzzfeed.com.
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