Pular para o conteúdo principal

Marqueteiro brasileiro suspende parceria com Cambridge Analytica após escândalo - publicado 20 de Março de 2018, 6:58 p.m. Mauro Albano Mauro Albano Editor-assistente, BuzzFeed News, Brasil

A consultoria CA Ponte, do publicitário baiano André Torretta, vai voltar a se chamar A Ponte Estratégia. A empresa negou ter conhecimento de condutas ilegais da Cambridge, que atuou na campanha de Donald Trump.

A consultoria CA Ponte, do publicitário baiano André Torretta, anunciou a suspensão de sua parceria com a empresa de marketing Cambridge Analytica — pivô do escândalo do vazamento de dados do Facebook — e vai voltar a se chamar A Ponte Estratégia, sem as iniciais dos britânicos.

A Cambridge Analytica é acusada de usar ilegalmente dados de usuários do Facebook para uso em campanhas eleitorais, como a de Donaldo Trump nos Estados Unidos e a do Brexit no Reino Unido.
As eleições brasileiras, envolvendo 147 milhões de eleitores e disputa para a Presidência da República, os governos dos Estados e por vagas nos Legislativos estaduais e nacional — é um dos maiores mercados para empresas de análise de dados neste ano.
A Cambridge Analytica se tornou conhecida pelo uso da análise de personalidade de consumidores ou eleitores em suas campanhas. A parceria com a consultoria brasileira começou em 2017 — por iniciativa da Cambridge, de acordo com nota da Ponte sobre a suspensão da sociedade.
"O principal critério de busca dos parceiros locais pela CA era a expertise local", afirma o comunicado. "O interesse da Ponte era buscar conhecimento complementar na área de dados."
André Torretta, presidente da Ponte, é conhecido como pioneiro em consultoria especializada na classe C brasileira. É ainda fundador do Data Popular, um instituto de pesquisas dedicado a estudar os hábitos desse segmento.
Também já atuou em campanhas políticas. Em entrevista em janeiro à Folha de S.Paulo, disse que não faria campanha "para os extremos". "Esse é o meu posicionamento e o da Cambridge", disse, acrescentando que, nos EUA, Donald Trump — cliente da Cambridge — não é considerado extrema-direita.
André Torretta
Reprodução
André Torretta
O BuzzFeed News apurou que a CA Ponte chegou a negociar um contrato com o PSDB nacional no fim do ano passado, mas o partido, então presidido por Tasso Jereissati, não fechou negócio.
Uma reportagem do telejornal britânico Channel 4 News filmou dois executivos da Cambridge Analytica declarando a um repórter — que se passou por um potencial cliente do Sri Lanka — que usam recursos como divulgação de notícias falsas e subornos para influenciar nas eleições em que atuam. Eles listam os vários países onde a empresa já trabalhou e dizem: "Agora estamos indo para o Brasil".
Em sua nota sobre a suspensão da parceria, a Ponte negou ter conhecimento de qualquer conduta ilegal da Cambridge Analytica.
"Neste final de semana, recebemos a notícia de que a CA estaria recebendo uma denúncia do Facebook, quanto ao uso dos seus dados. É importante dizer que os fatos não aconteceram no Brasil", diz a empresa brasileira. "No entanto, a Ponte decidiu não renovar a parceria com a CA, até que tudo seja esclarecido."
"A Ponte esclarece também que vinha tendo dificuldade em tropicalizar a metodologia da parceira americana. E desenvolvia paralelamente seu próprio método de segmentação e gestão de canais, levando em consideração a cultura e o comportamento do brasileiro", continua a nota.
"A Ponte faz questão de deixar claro que em 10 anos de atuação, sempre pautou-se pela ética e transparência em seus negócios."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Doutrina Monroe - Por: Marcos Benedito - 03/01/2026

Onde a Doutrina Monroe foi usada como instrumento de dominação A chamada Doutrina Monroe não surgiu por acaso, nem por boa vontade. Ela foi criada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam se afirmando como nação, mas já pensavam como império em formação. O contexto era claro: países da América Latina estavam se libertando das coroas europeias, especialmente da Espanha e de Portugal, e as grandes potências do Velho Mundo observavam com interesse a possibilidade de retomar influência sobre essas regiões. Foi nesse cenário que os EUA se apresentaram como “protetores” do continente. O discurso oficial dizia que a Europa não deveria mais interferir nas Américas. Soava bonito, até necessário. Mas o objetivo real era outro: afastar os europeus para assumir o controle do território, da política e da economia do continente. Nascia ali a famosa frase: “A América para os americanos.” Só que nunca ficou claro quem eram esses “americanos”. Na prática, a doutrina estabeleceu que nenhum país d...

ATITUDE BRASIL: Um olhar sobre o grupo depois de mais de 20 anos - Por: Marcos Benedito

Ao tomar a iniciativa de recuperar e registrar o material do Atitude Brasil na plataforma do YouTube, comecei também a observar novos detalhes que, na época em que tudo foi produzido, talvez não tivessem recebido a devida atenção. Mais de 20 anos depois, ao rever essas gravações, algumas características do grupo tornam-se muito mais evidentes. E uma das primeiras coisas que chama a atenção é justamente aquilo que talvez seja uma das marcas mais importantes do Atitude Brasil: a espontaneidade . A espontaneidade como marca Nas gravações é possível perceber uma alegria natural. Não parece haver uma tentativa artificial de produzir uma determinada reação ou de representar uma coreografia previamente ensaiada. A alegria simplesmente acontece. O grupo demonstra espontaneamente a satisfação de tocar, cantar e fazer música. Isso é particularmente significativo quando comparamos com algumas performances musicais em que a movimentação, os gestos e as expressões parecem excessivamente programados...

OBSERVATÓRIO - Imigrantes africanos protestam por direitos humanos em Israel - Do G1, com agências inernacionais

Os imigrantes pedem que o governo conceda a eles o status de refugiado. Enquanto isso, são abrigados em centro penitenciários.                           Munidos de velas e cartazes, imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários. (Foto: Oren Ziv/France Presse)   Imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários e para terem respeitados os direitos humanos. Em um protesto pacíficio, milhares seguram velas e ostentaram cartazes pedidno liberdade. Cerca de 60 mil imigrantes africanos vivem em Israel sem o status de refugiado. Eles são abrigados em centros de detenção, devido a uma lei que passou no parlamento...