Pular para o conteúdo principal

Nazistas mataram seu marido. Ela comprou um tanque para se vingar - Thais Uehara

Mariya Oktyabrskaya doou um T-34 ao Exército Vermelho e pessoalmente o pilotou em combate, ganhando fama por sua bravura suicida

Mariya posando no T-34 | <i>Crédito: Domínio Público
Mariya posando no T-34 | Crédito: Domínio Público







A má notícia levara dois anos para chegar a Mariya Oktyabrskaya. Foi só em 1943 que ela ficou sabendo que seu marido, Ilya, havia sido morto em agosto de 1941, logo no começo da invasão nazista, em Kiev, Ucrânia.
Até aí, uma triste história que se repetiria inúmeras vezes no país que perderia entre 10 e 12 milhões de pessoas em combate — de longe, o maior número de perdas militares e mais que o dobro dos da Alemanha Nazista.
Mariya, porém, queria vingança e queria agora. Ela pegou suas economias e enviou uma carta para Stalin.
“Meu marido foi morto em ação defendendo a pátria. Eu quero me vingar dos cães fascistas pela morte e pela morte do povo soviético torturado pelos bárbaros fascistas. Para esse efeito , depositei todas as minhas poupanças pessoais — 50.000 rublos — para o Banco Nacional, a fim de construir um tanque. Gostaria de nomear o tanque 'Namorada Guerreira' e ser enviada para a linha de frente como motorista do referido tanque.”
Farejando boa publicidade, o Comitê de Defesa do Estado decidiu conceder seu desejo. Mariya foi alistada e treinada por 5 meses como piloto de tanques. Na torreta do T-34 a ela destinado, gravou as palavras: Боевая подруга (Boyevaya Podruga). "Namorada Guerreira". Tinha então 38 anos. 
Mariya no topo do "Namorada"Domínio Público

A VINGANÇA

Em sua primeira batalha, em Smolensk, 21 de outubro de 1943, o "Namorada" destruiu posições de artilharia e metralhadora alemãs. Quando o veículo foi antigido, ignorando ordens, ela foi para fora, em meio ao fogo inimigo, e conseguiu consertá-lo. Isso rendeu-lhe a promoção a sargento.
Em 17 de novembro, na reconquista soviética de Novoye Selo, o mesmo aconteceu: seu tanque perdeu a lagarta para um tiro de artilharia e ela saiu, conseguindo consertá-lo para se juntar novamente à coluna do Exército Vermelho. Logo a fama se espalhou sobre a piloto que simplesmente não podia ser parada.
Sua carreira seria meteórica, mas curta. No dia 17 de janeiro de 1944, Mariya e sua equipe haviam cruzado as linhas alemães e atacavam trincheiras e ninhos de metralhadoras, conseguindo destruir uma grande peça de artilharia autopropulsionada. Foi quando, no que já era rotina, um projétil antitanque atingiu a Namorada Guerreira e destruiu uma de suas lagartas.
Como de costume, a piloto saiu para tentar consertar. Consegui botar o tanque para andar, mas sua sorte havia acabado. Um fragmento da exposão de um tiro de artilharia atingiu-a na cabeça. 
Mariya entrou em coma. Dois meses depois de sua última batalha, sem recuperar à consciência, sucumbiu à sua lesão. No dia 2 de agosto de 1944 ela receberia postumamente o  título de Herói da União Soviética, a maior honraria oferecida pelo govenro soviético. Era a primeira mulher piloto de tanque a ter esse reconhecimento. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OBSERVATÓRIO - Imigrantes africanos protestam por direitos humanos em Israel - Do G1, com agências inernacionais

Os imigrantes pedem que o governo conceda a eles o status de refugiado. Enquanto isso, são abrigados em centro penitenciários.                           Munidos de velas e cartazes, imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários. (Foto: Oren Ziv/France Presse)   Imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários e para terem respeitados os direitos humanos. Em um protesto pacíficio, milhares seguram velas e ostentaram cartazes pedidno liberdade. Cerca de 60 mil imigrantes africanos vivem em Israel sem o status de refugiado. Eles são abrigados em centros de detenção, devido a uma lei que passou no parlamento...

Madame Satã, o transformista visto como herói da contracultura e vilão pelo governo Bolsonaro - Daniel Salomão Roque De São Paulo para a BBC News Brasil 26 junho 2021

  bibliOTECA NACIONAL Legenda da foto, Manchete sobre a participação de João Francisco numa fuga penitenciária em 1955. O transformista nutria grande admiração por Carmen Miranda e procurava imitá-la sempre que possível Ao abaixar a cabeça, João Francisco dos Santos, então com 28 anos, viu duas poças se avolumarem no chão de seu quarto — de um lado, as gotas de sangue pingando através de um rasgo em sua sobrancelha direita; do outro, as lágrimas que lhe escorriam pelos cantos dos olhos. Não demorou muito para que ambos os fluidos se misturassem numa poça maior. "A minha pessoa estava feliz demais naquela noite. Eu devia ter desconfiado", recordaria quatro décadas depois, em depoimento ao escritor Sylvan Paezzo (1938-2000). "Já tinha apanhado tanto da danada da vida, que pensei ter chegado a minha boa hora. Aquela demagogia de que não há mal que sempre dure e que depois da tempestade vem a bonança." Corria o ano de 1928, e João Francisco acreditava ter realizado o so...

Doutrina Monroe - Por: Marcos Benedito - 03/01/2026

Onde a Doutrina Monroe foi usada como instrumento de dominação A chamada Doutrina Monroe não surgiu por acaso, nem por boa vontade. Ela foi criada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam se afirmando como nação, mas já pensavam como império em formação. O contexto era claro: países da América Latina estavam se libertando das coroas europeias, especialmente da Espanha e de Portugal, e as grandes potências do Velho Mundo observavam com interesse a possibilidade de retomar influência sobre essas regiões. Foi nesse cenário que os EUA se apresentaram como “protetores” do continente. O discurso oficial dizia que a Europa não deveria mais interferir nas Américas. Soava bonito, até necessário. Mas o objetivo real era outro: afastar os europeus para assumir o controle do território, da política e da economia do continente. Nascia ali a famosa frase: “A América para os americanos.” Só que nunca ficou claro quem eram esses “americanos”. Na prática, a doutrina estabeleceu que nenhum país d...