As imagens desta exposição de arte abriram um debate sobre "black face" - publicado 27 de Novembro de 2017 - Aline Ramos Aline Ramos - BuzzFeed
Com a proposta de um "mundo invertido", personalidades brancas tiveram suas peles escurecidas.A ex-consulesa da França no Brasil, Alexandra Loras, divulgou no último final de semana algumas obras que vão fazer parte da sua próxima exposição de arte. A mostra se chama "Pourquoi pas?", que significa "Por que não?".

Divulgação / Via Facebook: alexandraloras
A exposição ficará em cartaz de 2 a 22 de dezembro na Galeria Rabieh, em São Paulo.
A proposta de "Pourquoi pas?" é apresentar um "mundo invertido". Para isso, Alexandra reuniu retratos de 20 personalidades brancas e escureceu o tom de pele delas.

Divulgação
A modificação foi feita por manipulação digital. Entre as personalidades estão Donald Trump, Rainha Elizabeth II, William Waack, Marilyn Monroe, Silvio Santos, João Doria, Dilma Rousseff, Michel Temer, Geraldo Alckmin, Xuxa e Gisele Bündchen.
Além da pele escurecida, os famosos também ganharam traços afrodescendentes.

Divulgação
Geraldo Alckmin, Madonna e Donald Trump.
Logo após a divulgação, algumas pessoas chamaram atenção para uma coisa: escurecer o tom de pele de pessoas brancas pode ser visto como "black face", prática racista muito comum no teatro entre os séculos XIX e XX.

Reprodução / Facebook
Alexandra, por sua vez, explicou que seu objetivo não era fazer "black face", mas provocar uma reflexão sobre racismo.

Reprodução / Facebook
Mesmo assim, algumas pessoas alegaram que a exposição é uma falta de respeito com a comunidade negra brasileira.

Reprodução / Facebook
Já na visão de outros, a exposição cumpre justamente o seu papel de provocar debate e reflexão.

Reprodução / Facebook
Para a historiadora Suzane Jardim, a exposição não é um caso típico de "black face". Porém, ela acredita que "independente da intencionalidade do autor, não há hoje como se dissociar figuras de pessoas brancas pintadas de negro da prática centenária do blackface".
Suzane ainda diz que o mais grave está na ideia de que invertendo a cor de pessoas brancas, o racismo do mundo acabaria. Pra ela, essa linha de pensamento ignora toda a estrutura racista em que vivemos.

Reprodução / Facebook
Outro ponto controverso é o material de divulgação do projeto. Uma apresentação da exposição tem circulado no WhatsApp com a imagem de artistas, jornalistas e youtubers convidados.

Divulgação
Mas alguns presentes na divulgação já disseram que não foram informados do projeto e nem autorizaram o uso de suas imagens para divulgação.

Reprodução / Facebook
Comentários
Postar um comentário