Pular para o conteúdo principal

Coreia do Norte ameaça Estados Unidos com ataque nuclear preventivo - XAVIER FONTDEGLÒRIA - EL PAÍS - 26 JUL 2017

Em comemoração aos 64 anos do fim da Guerra da Coreia, ministro elevou tom contra adversários

Corea del Norte
Mísseis balísticos durante um desfile militar na Coreia do Norte  AP
A Coreia do Norte ameaçou nesta quarta-feira lançar um ataque nuclear preventivo contra os Estados Unidos no caso de Washington decidir optar pela via militar para acabar com o programa de armamento nuclear do país asiático.Trata-se da enésima advertência do regime de Kin Jong-un contra o que considera “constantes agressões e atos de guerra”. A última foi os comentários do diretor da CIA, Mike Pompeu, sobre a possibilidade de tirar do poder o ditador como via para solucionar o problema norte-coreano e desnuclearizar a península.
“Se nossos inimigos interpretam mal nossa situação estratégica e insistem que suas opções passam por realizar um ataque preventivo nuclear contra nós, lançaremos um ataque nuclear preventivo no coração da América como um implacável castigo e sem advertências”, afirmou o ministro da Defesa norte-coreano, Park Yong-sik. Suas declarações, divulgadas pela agência estatal KCNA, se inserem nos atos de comemoração do 64º aniversário do fim da Guerra da Coreia, um conflito que terminou com um armistício que nunca desembocou em um Tratado de Paz.
Não é a primeira vez que a Coreia do Norte ameaça atacar preventivamente e com armas nucleares os Estados Unidos. Isso é parte da habitual retórica belicista que o regime utiliza, exacerbada nos últimos meses em razão do aumento das sanções econômicas a Pyongyang, o ritmo e o alcance cada vez maior dos testes de armamento e a elevação de tom que chega de Washington, onde foi proclamado o fim da era baseada na “paciência estratégica”.A efeméride é celebrada nesta quinta-feira, feriado na Coreia do Norte para festejar o que chamam de “o Dia da Vitória”. Os observadores acreditam que o regime poderia efetuar nesse dia um novo teste de mísseis balísticos, dada sua predisposição de levá-los a cabo em datas especiais, seja para o calendário norte-coreano ou de outros países. O último de seus ensaios foi em 4 de julho, quando a nação disparou pela primeira vez e com sucesso um foguete de alcance intercontinental. Kim Jong-un disse depois que o míssil era “um presente aos bastardos dos Estados Unidos” por seu Dia da Independência.
A propaganda norte-coreana explodiu com as declarações do diretor da CIA, Mike Pompeo, que em um evento sobre segurança falou da necessidade de encontrar uma forma de separar Kim Jong-un de seu arsenal nuclear. “O mais perigoso é o caráter da pessoa que tem o controle sobre essas armas (...). Do ponto de vista da Administração, o mais importante que podemos fazer é separar as armas nucleares de alguém que possa ter a intenção de usá-las”, disse, segundo a CNN. O secretário de Estado, Rex Tillerson, sempre afirmou que o Governo norte-americano não busca uma mudança de regime na Coreia do Norte.
Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores norte-coreano, não identificado na notícia, afirmou à mídia estatal que “buscarão e liquidarão onde quer que for que se encontrem” os que tentem tirar do poder Kim Jong-un. “A República Popular Democrática da Coreia (nome oficial do país) estipula por lei que se o seu máximo dignitário se vê ameaçado deve aniquilar de modo preventivo os países e entidades envolvidos direta ou indiretamente nisso, mobilizando todos os tipos de meios de ataque, incluindo os nucleares”.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Doutrina Monroe - Por: Marcos Benedito - 03/01/2026

Onde a Doutrina Monroe foi usada como instrumento de dominação A chamada Doutrina Monroe não surgiu por acaso, nem por boa vontade. Ela foi criada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam se afirmando como nação, mas já pensavam como império em formação. O contexto era claro: países da América Latina estavam se libertando das coroas europeias, especialmente da Espanha e de Portugal, e as grandes potências do Velho Mundo observavam com interesse a possibilidade de retomar influência sobre essas regiões. Foi nesse cenário que os EUA se apresentaram como “protetores” do continente. O discurso oficial dizia que a Europa não deveria mais interferir nas Américas. Soava bonito, até necessário. Mas o objetivo real era outro: afastar os europeus para assumir o controle do território, da política e da economia do continente. Nascia ali a famosa frase: “A América para os americanos.” Só que nunca ficou claro quem eram esses “americanos”. Na prática, a doutrina estabeleceu que nenhum país d...

ATITUDE BRASIL: Um olhar sobre o grupo depois de mais de 20 anos - Por: Marcos Benedito

Ao tomar a iniciativa de recuperar e registrar o material do Atitude Brasil na plataforma do YouTube, comecei também a observar novos detalhes que, na época em que tudo foi produzido, talvez não tivessem recebido a devida atenção. Mais de 20 anos depois, ao rever essas gravações, algumas características do grupo tornam-se muito mais evidentes. E uma das primeiras coisas que chama a atenção é justamente aquilo que talvez seja uma das marcas mais importantes do Atitude Brasil: a espontaneidade . A espontaneidade como marca Nas gravações é possível perceber uma alegria natural. Não parece haver uma tentativa artificial de produzir uma determinada reação ou de representar uma coreografia previamente ensaiada. A alegria simplesmente acontece. O grupo demonstra espontaneamente a satisfação de tocar, cantar e fazer música. Isso é particularmente significativo quando comparamos com algumas performances musicais em que a movimentação, os gestos e as expressões parecem excessivamente programados...

OBSERVATÓRIO - Imigrantes africanos protestam por direitos humanos em Israel - Do G1, com agências inernacionais

Os imigrantes pedem que o governo conceda a eles o status de refugiado. Enquanto isso, são abrigados em centro penitenciários.                           Munidos de velas e cartazes, imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários. (Foto: Oren Ziv/France Presse)   Imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários e para terem respeitados os direitos humanos. Em um protesto pacíficio, milhares seguram velas e ostentaram cartazes pedidno liberdade. Cerca de 60 mil imigrantes africanos vivem em Israel sem o status de refugiado. Eles são abrigados em centros de detenção, devido a uma lei que passou no parlamento...