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OBSERVATÓRIO - A FACE OCULTA DO ÓDIO RACIAL – POR: MARCOS BENEDITO

Na semana passada, o conhecido radialista e comunicador Mario Bros, sofreu uma agressão racista em plena área central da cidade de Araçatuba.

Mario é afrodescendente, carismático e talentoso, muito atuante no rádio, na televisão e nos principais eventos realizados na cidade, além de ser um profissional muito admirado pela maioria das pessoas.

A reação de surpresa de muitas pessoas, e em especial,  as mais proeminentes, foi imediata.

Um clima de espanto aflorou nas redes sociais, nas rodas de conversa, na imprensa escrita.

De modo geral, todos expressavam o mesmo sentimento de descrédito em relação ao fato de Mario Bros, um negro bem sucedido, simpático e comunicativo ter sido alvo de tal violência.

As pessoas que se sensibilizaram com o fato e que fizeram questão de se pronunciarem publicamente na defesa de Mario, deixaram escapar nas entrelinhas de seus depoimentos, outro tipo de preconceito, que é aquele que diz que: "negro, bonito, bem sucedido não sofre discriminação".

Mario Bros ocupa um lugar de destaque nos meios de comunicação,  porém, isto deve ser visto como uma exceção dentre os milhões de afrodescendentes que lutam pela sobrevivência numa sociedade predominantemente racista.

As manifestações de solidariedade publicadas no jornal e na internet, tentam estabelecer uma lógica em que Mario Bros estaria acima de qualquer conflito racial.

De acordo com uma das leitoras, Mario seria um rapaz “que toda mulher gostaria de ter”. Um outro leitor afirma que "três pobretões...que sequer imaginam em que sociedade vivem". 

Este caso ocorrido em Araçatuba escancara vergonhosamente mais uma faceta cruel do racismo, que estabelece que o negro bem sucedido socialmente diferencia-se daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades. 

Mario poderia estar neste momento com o seu ego lá nas alturas, pois os seus admiradores tentaram lhe provar que ele é um "negro diferente". 

Este entendimento não foi o mesmo dos três racistas que passaram num carro, chamando-o de "macacão da TV".  

Muito provavelmente, não seria o entendimento dos policiais, caso ele fosse parado numa "blitz" na calada da noite, como aconteceu com o cantor de RAP, Mano Brown, dos Racionais MC´s, em um episódio ocorrido recentemente em São Paulo.  

Os leitores da Folha da Região que se manifestaram na defesa do radialista, estabelecem uma “hierarquização” onde determinado tipo de afrodescendente é muito bem aceito, em detrimento de outros, que muito provavelmente, merecem enfrentar as consequências da intolerância racial. 

Este é exatamente o discurso que fundamenta a tese de alguns políticos completamente empenhados em defender os interesses da classe dominante.    

De acordo com este segmento rancoroso e conservador, a população negra é incapaz de disputar um espaço na sociedade sem a ajuda das políticas compensatórias, que no ponto de vista deles, servem somente para provocar as desigualdades sociais e raciais, principalmente quando o debate se dá em torno de políticas públicas e adoção de cotas nas universidades e nos concursos públicos. 


Isoladamente, Mario pode ser considerado uma exceção. No geral, Mario faz parte de uma estatística, onde via de regra, 57% da população é negra e discriminada. 


Num pais onde se reconhece oficialmente a existência do racismo, mas não se consegue identificar os que o praticam, os "três pobretões", como foram classificados por um dos leitores da Folha da Região, prestam um relevante serviço, mostrando a face oculta do ódio racial para a sociedade brasileira.  


  

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