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OBSERVATÓRIO - RESGATANDO A NOSSA HISTÓRIA - 10 ANOS DA SEPPIR - FONTE: AFROPRESS - 25/03/2013

Coordenador da REDEAFRO. Integrante da Assessoria gestão Cido Sério/Araçatuba
Nestes 10 anos da SEPPIR, a REDEAFRO se orgulha de ser protagonista na história de luta dos afrodescendentes brasileiros. Em nossa trajetória, exercemos funções relevantes na direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (SEEB/SP), na Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT) que, posteriormente, passou a ser denominada Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF/CUT).
Representamos a CUT na presidência do Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial (INSPIR), que congrega cinco centrais sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, CSA e AFL-CIO), onde com o empenho de todos os membros da executiva, conseguimos num esforço muito grande, também com a ajuda das centrais, garantir a sobrevivência financeira e política do Instituto.
Coordenamos a Comissão Nacional Contra a Discriminação (CNCDR/CUT), que culminou com a criação da Secretaria Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT (SNCDR/CUT). Exercemos durante dois anos a função de conselheiro no Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial da SEPPIR, onde participamos da Conferência Nacional pela Promoção da Igualdade Racial que resultou no Plano Nacional da Promoção da Igualdade Racial (PLANAPIR).
Fizemos parte da delegação brasileira, constituída por vários setores do movimento negro, sociedade civil e sindical, que debateu o Tratado de Durban em Genebra. Acompanhamos todo o debate no Supremo Tribunal Federal (STF), em torno da política de cotas nas universidades. Na aprovação do Estatuto da Igualdade Racial estávamos em Brasília, participando da votação no Congresso.
Hoje, colaboramos com a gestão do prefeito Cido Sério no município de Araçatuba. Araçatuba tem aproximadamente 200 mil habitantes com 43% de afrodescendentes (pretos e pardos, conforme o último censo do IBGE).
Juntamente com a Secretaria Municipal de Participação Cidadã, o movimento negro e a sociedade civil, estamos implementando as políticas de ações afirmativas, visando à criação de políticas públicas na cidade. Fruto deste trabalho, com a criação do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros de Araçatuba (NEAB-Araçatuba), introduzimos a Lei 10.639/03 nas escolas municipais, aprovamos o feriado do dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra), organizamos o Fórum da Construção da Consciência Negra (FCCN) e estamos quase atingindo o objetivo de criar o Conselho do Negro.
Mesmo diante de todos estes avanços, sentimos o grande distanciamento que existe entre as nossas ações e a falta de respaldo político, agravado ainda mais pelo fato de atuarmos num município, até pouquíssimo tempo, dominado politicamente pela direita conservadora. O fato é que existe uma lacuna muito grande, decorrente da falta de diálogo.
Não existe solidariedade, a linguagem utilizada pelos nossos representantes está muito distante daquilo que precisamos ouvir. A SEPPIR se tornou um instrumento muito fora da nossa realidade. Lamentavelmente, este comportamento equidistante tem contagiado também a nossa estrutura sindical, contribuindo para que em muitas situações, haja uma grande lacuna histórica no movimento.
Esta lacuna poderia estar sendo preenchida pela participação da militância, no entanto, a vanguarda está jogada no limbo do esquecimento, por motivos inexplicáveis, mais que se tornam relevantes, diante dos desafios impostos pela importância da luta contra o racismo no Brasil.

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