
Entende-se
como sepulcro, uma câmara mortuária, silenciosa e escura, onde prevalece o mais
profundo silêncio.
Nos
últimos dias, desde que a presidenta Dilma anunciou a redução de 10
ministérios, é exatamente este “silêncio sepulcral” que prevalece em torno da
discussão do possível fechamento da Secretaria Especial da Promoção da
Igualdade Racial (SEPPIR).
O Brasil
sofre as consequências de uma crise econômica global.
Este
quadro agrava-se com o conturbado ambiente político, resultante das denúncias
que envolvem os investigados desvios da Petrobrás.
Como
medida emergencial para recuperar a economia, o Governo Federal propõe o
aumento de impostos e a volta da
Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de
Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), assumindo o
risco de potencializar a rejeição política no Congresso e na população.
Diante disto, não podemos aceitar que nós, os
afrodescendentes, sejamos os maiores prejudicados no pagamento desta fatura.
Foram necessários muitos séculos para que os atuais patamares
(que estão longe do ideal) fossem conquistados pelos afrodescendentes
brasileiros.
A SEPPIR, criada com status de ministério, no início do
primeiro mandato do presidente Lula em 2003, nunca teve um orçamento similar a
outros ministérios considerados mais importantes.
O racismo brasileiro é fruto de uma trajetória histórica de
mais de 350 anos de escravidão, a criação da SEPPIR representou uma ousada ação
de Governo, em atendimento às reivindicações do Movimento Negro, destacando
positivamente o Brasil dentre todas as demais nações que aderiram ao “Tratado
de Durban” realizado na África do Sul em 2001.
Considerando-se os avanços obtidos nestes 12 anos, torná-se
completamente inaceitável o silêncio sepulcral da SEPPIR e das entidades que
compõe o Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).
O CNPIR é composto por 19 entidades da Sociedade Civil,
escolhidas através de edital público, e por 3 notáveis indicados, além dos 22
órgãos do Poder Público Federal.
Sabe-se que nestes anos de luta na construção das políticas
de igualdade de oportunidades, o Movimento Negro não conseguiu conquistar o
respeito e o reconhecimento necessário para impor uma pauta para o Governo
Federal.
Enveredamos pelo caminho da fragmentação, estabelecendo uma
relação pautada pelos interesses partidários.
Direcionamos as nossas energias na capilarização dos
interesses das nossas correntes.
Sucumbimos aos métodos dos nossos opressores, abrindo mão da
solidariedade e do companheirismo de classe.
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