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OBSERVATÓRIO - Militância petista reage a grupo que hostilizava Lula no centro de São Paulo - por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 28/08/2015


UM GRUPO DE CERCA DE 40 MILITANTES TENTOU SEM SUCESSO INFLAR UM BONECO GIGANTE COM SUA IMAGEM VESTIDO COMO PRESIDIÁRIO, AO LADO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO
São Paulo – No mesmo dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou à rádio Itatiaia, de Montes Claros (MG), que se for necessário vai disputar a eleição presidencial de 2018 e trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições, um grupo de cerca de 40 militantes tentou sem sucesso na tarde de hoje (28) inflar um boneco gigante com sua imagem, vestido como presidiário, ao lado da prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, centro da capital. Pela manhã, eles já haviam protestado na Ponte Estaiada, na zona sul. A ação no centro foi frustrada com a chegada de um grupo de aproximadamente 100 petistas.
Os antipetistas chegaram a inflar o boneco, mas foram advertidos pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) que não podiam manter a estrutura de 12 metros de altura naquele local. Pouco depois, um grupo formado por sindicalistas, militantes de movimentos sociais e trabalhadores simpáticos ao PT chegou ao local e começou a discussão. Os dois grupos gritaram palavras de ordem e trocaram ofensas durante cerca de uma hora e meia.
O grupo defensor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff acusou os petistas de furar o boneco – que custou R$ 12 mil – com uma faca, mas se recusou a mostrar a avaria à reportagem. Eles foram ao 1º Distrito Policial, na Liberdade, prestar queixa pelo dano ao boneco inflável.
Para a ativista do Movimento Brasil Celene Salomão de Carvalho, o ato foi um sucesso: “Faz 13 anos que a ditadura petista nos persegue”, disse.
A gerente comercial Carmem da Silva Ferreira considera um absurdo que se proteste contra os “avanços do governo petista”. “A raiva desse povo é não ter mais empregada para lavar as cuecas e calcinhas dele”, afirmou. Ela questionou os manifestantes sobre o que ele pensavam da chacina ocorrida na periferia das cidades de Osasco e Barueri, em que foram mortas 19 pessoas, na noite do último dia 13. “Viva a PM”, em coro, foi a resposta dos antipetistas.
Um grupo de 20 policiais militares separou os manifestantes. A partir daí, a discussão virou uma conversa de surdos, com petistas e antipetistas gritando palavras de ordem e trocando ofensas, mutuamente. “Olô, olê, olê, olá, Lula, Lula”, dizia o grupo pró-PT, enquanto eram chamados de “mortadelas” e “amigos de bandido”. “Vai pra Cuba” e “Fora PT” respondiam os outros, taxados de “coxinhas” e “papagaios de pirata”.
Poucos momentos de tensão foram registrados, ao que a PM afastava os opositores aos empurrões – principalmente os petistas. Algumas pessoas que passavam pelo Viaduto do Chá pararam para assistir a discussão. Perguntados de que lado estavam, desconversavam ou diziam que, no fim das contas, “eram todos ladrões”. “Só sei, meu filho, que se eu não trabalhar nenhum desses aí vai pagar minhas contas”, disse a ascensorista Eneida Gonçalves, afirmando estar “totalmente desiludida com a política”.
RBAna ciclovia
Líder do Revoltados Online, Marcello Reis, levou o boneco
Sem conseguir continuar o protesto, o grupo antipetista estacionou dois carros sobre a ciclovia do Viaduto do Chá, impedindo a passagem de ciclistas que trafegavam pelo local. Um agente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) advertiu a antipetista Celene para que tirasse o carro do local.
Os petistas a cercaram, chamando-a de coxinha e enfiando bandeiras do partido na janela do carro dela. Os policiais empurraram os petistas e gritaram com Celene para que fosse logo embora. A fotógrafa Joseane do Nascimento disse que foi agredida por um PM identificado apenas como Júlio. “Ele me empurrou e me xingou. Eu estava saindo da rua e ele me ameaçou”, afirmou. A truculência dos policiais motivou um novo protesto dos petistas, que os chamaram de genocidas.
Começou uma nova discussão, agora entre policiais e militantes pró-PT. O 1º tenente Melo disse que se eles queriam reclamar que fossem à corregedoria da instituição. O professor Pedro Batista disse que se fosse ele o agressor, já estaria preso – e cobrou do policial que tomasse uma atitude quanto à agressão contra a fotógrafa. Sem resolução, os policiais se foram, e os petistas comemoraram o "fracasso" do protesto.

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