Não lembro o ano, mas quando fui Secretario Geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, juntamente com a diretoria promovemos uma serie de debates com convidados muito diferentes, entre eles: Maria Conceição Tavares, Delfim Netto, Zé Maria, Jose Aníbal, Jair Bolsonaro, Benedita da Silva, Marina Silva e provavelmente muitas outras pessoas.
Parte delas eu me esqueci, mas lembro-me bem
que fiquei muito impressionado ao conversar com a Marina, escutando sua
trajetória de vida e de luta.
Aprendeu a ler com 16 anos, viveu uma das
piores realidades, que é a de ter sido seringueira, mas superou tudo e foi à
luta, realmente fiquei muito impressionado.
O tempo passou, sai do Sindicato e em 2002, fui trabalhar na campanha do então candidato Lula.
Mais uma vez tive a oportunidade de conviver um
pouco com a Marina.
Lula se elege e ela vai, obviamente, para o
Ministério do Meio Ambiente e ai começam alguns problemas, algumas posições
contraditórias que acarretam em sua saída do Governo e em seguida sua saída do
PT, filiando-se ao PV.
Ao mesmo tempo, ela se converte evangélica na
Assembleia de Deus, concorre às eleições e surpreende, porém com um discurso
confuso e vago.
Desliga-se do PV e tenta fundar um novo partido.
Não consegue e se filia ao PSB, que já vinha com uma linha mais a direita.
É só ver que em SP o PSB é vice de Geraldo.
Morre Eduardo Campos e Marina vira candidata.
Ai então começa meu espanto.
E mais uma vez me surpreendo com Marina, só que
desta vez, negativamente.
Suas falas são como se estivesse no púlpito de
seu templo, munida de toda verdade que a religião permite.
Nada contra isto, desde que seja feito em sua
igreja e não em uma campanha eleitoral.
Seus aliados espantam seu passado, o
irmão do assassino de Chico Mendes, Itaú, Natura, grileiros passam a apoiá-la e
ela ainda fala mal das alianças do PT.
Seu programa de Governo assusta.
Fim do credito
direcionado, menor atuação dos bancos públicos, autonomia do Banco Central,
liberalização da terceirização, fim a atuação da Justiça do Trabalho nas causas
individuais e por fim a frase que me marcou mais: “Chico Mendes era da elite”.
Realmente não sei o que aconteceu com esta moça, mas não é a mesma da época que eu a conheci no Sindicato dos Bancários.
Ela hoje é um arremedo de sua historia, uma
caricatura mal feita de uma opção salvadora e espero muito que as pessoas
entendam isto e pode parecer loucura, mas se fosse para perder a eleição, preferia
que fosse para o PSDB, pois deste sabemos o que esperar, não terá surpresas.
A Marina já me passa um duvida quase que
assustadora, afinal o chefe econômico dela é André Lara Resende, ninguém mais
que um dos articuladores do confisco das contas e poupança da “Era Collor”.
Que o Brasil tenha sorte e juízo neste
processo, pois os malucos que andam por ai gritando fora Dilma a qualquer
preço, podem dar um tiro nos próprio pé e nas esperanças de todo um povo que
conseguiu um processo de inclusão social e econômico de verdade.
* Renato Silva, foi diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, exercendo também cargo na Executiva.

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