Pular para o conteúdo principal

OBSERVATÓRIO - Presidente da Força sobe tom contra Dilma, sem adesão das centrais - por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 24/07/2013

Paulinho refere-se à presidenta como 'essa mulher', que ele 'lamentavelmente apoiou'. Outras lideranças, embora admitam relação mais difícil, ainda apostam e Paulinho refere-se à presidenta como 'essa mulher', que ele 'lamentavelmente apoiou'. Outras lideranças, embora admitam relação mais difícil, ainda apostam em unidade           

Praia Grande (SP) – Ao fechar o primeiro dia do sétimo congresso da Força Sindical, o presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, subiu o tom dos ataques ao governo, que para ele "não tem mais nada a ver com os trabalhadores". O tom de ruptura destoou do posicionamento de outras entidades, embora haja concordância quanto às críticas pelo não atendimento da pauta de reivindicações das centrais, a chamada agenda trabalhista.
Durante seu discurso, Paulinho referiu-se à presidenta Dilma Rousseff como "essa mulher" ou "essa senhora", que ele "lamentavelmente" apoiou em 2010. E disse ver com tristeza "como a gente erra na vida".
O presidente da CTB, Wagner Gomes, foi mais ponderado. "Não achamos que o problema do Brasil é a presidenta Dilma. Mas está ficando cada vez mais claro que é preciso uma outra política econômica", afirmou. Ele acredita que, diferentemente de 2010, pode não haver unanimidade entre as centrais em relação ao apoio a um candidato, mas diz ainda ser possível que isso aconteça, caso a presidenta atenda às reivindicações. "Isso não está descartado. Defendemos a continuidade desse projeto. De certo modo, estamos retomando as negociações", avaliou. O dirigente classificou as manifestações de "fora Dilma", expostas em cartazes principalmente na primeira fileira do plenária, como um "direito de expressão".
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, não houve manifestação generalizada, mas de uma parcela dos delegados. "Não dá para dizer que foi todo o congresso", comentou, lembrando que "cada liderança pode ter a candidatura que achar mais conveniente". Isso não afeta a unidade entre as centrais, acrescentou, porque ela é feita para defender uma pauta de interesse dos trabalhadores.
"Seria importante que construíssemos de novo (a união em torno de uma candidatura). Mas não é isso que vai determinar a unidade", observou. O sindicalista admite que o governo "não tem agilidade" nas respostas às reivindicações. E lembrou que está prevista uma paralisação nacional em 30 de agosto, "a maior da história deste país", caso três pontos considerados fundamentais não sejam atendidos até lá: exclusão do Projeto de Lei 4.330, sobre a terceirização, fim do fator previdenciário ("O governo tem obrigação de acabar e tem como fazer") e redução da jornada para 40 horas semanais.
Também há uma manifestação marcada para 6 de agosto, contra a terceirização. Os atos deverão ser realizados diante de confederações e federações patronais. Na próxima segunda-feira (29), representantes das centrais se reunirão na sede da UGT, em São Paulo, para discutir a organização dos atos dos dias 6 e 30.
 
O presidente da CSB, Antônio Neto, diz respeitar o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, mas defende "neste momento" que a interlocução seja diretamente com a presidenta. "Infelizmente, acho que mais para ela do que para nós, a pauta não avança", disse. As dificuldades na relação com o governo devem ser discutidas com a base "no momento certo", segundo ele.
"Não adianta ficar só defendendo ou apoiando um governo que não está cumprindo o que prometeu, enquanto a elite empresarial fica andando pelo Planalto com desenvoltura ímpar. Há agora uma blindagem que torna difícil chegar a ela (Dilma)", critica Neto, ressaltando que a observação não reflete um posicionamento para 2014.
Ele espera que a aliança vitoriosa em 2010 permaneça. "Tolo será o PT se abrir mão do PMDB. Eles deviam ter muito carinho com o PMDB. Michel (Temer) tem cumprido uma tarefa partidária fantástica. Não depende do PMDB. Precisa ver se o PT quer."
O congresso, que tem aproximadamente 4 mil delegados, termina na próxima sexta (26), com a reeleição de Paulinho. A entidade informa reunir por volta de 2.900 entidades em todo o país.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Doutrina Monroe - Por: Marcos Benedito - 03/01/2026

Onde a Doutrina Monroe foi usada como instrumento de dominação A chamada Doutrina Monroe não surgiu por acaso, nem por boa vontade. Ela foi criada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam se afirmando como nação, mas já pensavam como império em formação. O contexto era claro: países da América Latina estavam se libertando das coroas europeias, especialmente da Espanha e de Portugal, e as grandes potências do Velho Mundo observavam com interesse a possibilidade de retomar influência sobre essas regiões. Foi nesse cenário que os EUA se apresentaram como “protetores” do continente. O discurso oficial dizia que a Europa não deveria mais interferir nas Américas. Soava bonito, até necessário. Mas o objetivo real era outro: afastar os europeus para assumir o controle do território, da política e da economia do continente. Nascia ali a famosa frase: “A América para os americanos.” Só que nunca ficou claro quem eram esses “americanos”. Na prática, a doutrina estabeleceu que nenhum país d...

OBSERVATÓRIO - Imigrantes africanos protestam por direitos humanos em Israel - Do G1, com agências inernacionais

Os imigrantes pedem que o governo conceda a eles o status de refugiado. Enquanto isso, são abrigados em centro penitenciários.                           Munidos de velas e cartazes, imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários. (Foto: Oren Ziv/France Presse)   Imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários e para terem respeitados os direitos humanos. Em um protesto pacíficio, milhares seguram velas e ostentaram cartazes pedidno liberdade. Cerca de 60 mil imigrantes africanos vivem em Israel sem o status de refugiado. Eles são abrigados em centros de detenção, devido a uma lei que passou no parlamento...

Madame Satã, o transformista visto como herói da contracultura e vilão pelo governo Bolsonaro - Daniel Salomão Roque De São Paulo para a BBC News Brasil 26 junho 2021

  bibliOTECA NACIONAL Legenda da foto, Manchete sobre a participação de João Francisco numa fuga penitenciária em 1955. O transformista nutria grande admiração por Carmen Miranda e procurava imitá-la sempre que possível Ao abaixar a cabeça, João Francisco dos Santos, então com 28 anos, viu duas poças se avolumarem no chão de seu quarto — de um lado, as gotas de sangue pingando através de um rasgo em sua sobrancelha direita; do outro, as lágrimas que lhe escorriam pelos cantos dos olhos. Não demorou muito para que ambos os fluidos se misturassem numa poça maior. "A minha pessoa estava feliz demais naquela noite. Eu devia ter desconfiado", recordaria quatro décadas depois, em depoimento ao escritor Sylvan Paezzo (1938-2000). "Já tinha apanhado tanto da danada da vida, que pensei ter chegado a minha boa hora. Aquela demagogia de que não há mal que sempre dure e que depois da tempestade vem a bonança." Corria o ano de 1928, e João Francisco acreditava ter realizado o so...