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OBSERVATÓRIO - "Não sou apenas uma leitora de teleprompter", diz âncora do "SBT Brasil" sobre críticas à sua postura." - Carla Neves UOL Rio - 27/03/2013

  • Roberto Nemanis/SBT
    Sheherazade divide a bancada do telejornal com Joseval Peixoto, de segunda a sexta

Sheherazade divide a bancada do telejornal com Joseval Peixoto, de segunda a sexta
Há quase dois anos como âncora do "SBT Brasil", a jornalista Rachel Sheherazade, de 39 anos, divide opiniões ao comentar temas polêmicos como religião e política. Um dos comentários mais provocantes da paraibana – que ganhou notoriedade ao criticar o Carnaval de seu Estado natal – aconteceu recentemente, quando ela defendeu a manutenção do deputado e pastor Marco Feliciano na presidência de Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.
Nesta segunda-feira (25), Keila Jimenez, da coluna Outro Canal, afirmou que um grupo de funcionários do SBT, incluindo artistas, está indignado com alguns comentários feitos por Rachel no "SBT Brasil". Segundo a colunista, eles estão organizando um abaixo-assinado batizado de "Rachel não nos representa", que será encaminhado à direção do canal. Em entrevista ao portal UOL, a apresentadora disse desconhecer a existência do abaixo-assinado.
"Bem, nem eu nem a direção de jornalismo sabemos nada a respeito da existência de um abaixo-assinado", explicou.
Rachel argumentou que jamais poderia representar grupo algum dentro do SBT. "Não tenho procuração para isso. Nem quero ter. É bom lembrar que não fui contratada para repercutir a opinião de artistas, funcionários ou diretores do SBT. Nem para estar em consonância com eles. Não fui admitida nem mesmo para reverberar a opinião do dono da emissora. Muito pelo contrário", acrescentou.
Rachel falou sobre sua postura e disse que não é "apenas uma leitora de teleprompter" [equipamento acoplado às câmeras de filmar que exibe o texto a ser lido pelo apresentador]. A jornalista afirmou que quando foi convidada para trabalhar na emissora de Silvio Santos, pediram-lhe, simplesmente, que emitisse suas próprias opiniões, falasse o que quisesse, com total liberdade.
Leia, abaixo, a entrevista completa com a jornalista:
UOL – Você é conhecida por emitir opiniões a respeito de temas polêmicos, como religião e política. Já existiu alguma restrição ou recomendação por parte da emissora a respeito do seu jeito de se expressar?
Rachel – Ao ser convidada para fazer parte do SBT, pediram-me, simplesmente, que emitisse minhas próprias opiniões. Falasse sobre o que quisesse, com total liberdade. Portanto, a única coisa que faço é usar esse privilégio da liberdade de expressão todos os dias. Se fosse pautar meus comentários pela aprovação da maioria não teria opinião própria, seria uma marionete de outros interesses. Isso não sou.
Você já sentiu alguma insatisfação por parte dos artistas e/ou da direção do SBT?
Nunca senti qualquer insatisfação por parte da direção nem dos artistas da emissora. Cada um tem seu papel: os artistas entretêm, os diretores dirigem. Sou jornalista e comentarista. Apresento o "SBT Brasil" e emito minhas opiniões. Não há qualquer ingerência entre áreas.
Já sofreu alguma represália por causa dos seus comentários?
Represália nunca sofri. Mas os comentários com maior repercussão sempre geram aplausos apaixonados e críticas inflamadas. Faz parte do meu trabalho. Não sou apenas uma leitora de teleprompter. Analiso os fatos, dou opinião, me exponho, dou a cara a tapa todos os dias. Se conquisto muitos com minha coragem e franqueza, também incomodo outros. Não tem como fugir disso, a não ser ficando em cima do muro. Mas quem não se posiciona não tem opinião. Não é o meu caso.

  • Roberto Nemanis/SBT Jornalista é âncora do "SBT Brasil" há 2 anos
Você já se arrependeu de algo que tenha dito?
Nunca me arrependi de nada que tenha dito na TV. Até porque não sou uma pessoa leviana. Penso e pondero muito antes de emitir minhas opiniões. Apesar de não ter me arrependido de nenhum comentário, sei que posso mudar de opinião futuramente. Quem sabe? Um bom contra-argumento me conquista e pode, sim, me fazer mudar de ideia. Mas, até agora, sigo firme nas minhas convicções.
O que você escuta das pessoas nas ruas sobre sua postura?
Ouço de tudo: de positivo e negativo. Mas, sejam farpas ou elogios, a crítica está sempre me ajudando a crescer como profissional. Algumas pessoas não entendem o sentido do espaço opinião. Criticam minha suposta falta de "imparcialidade", como se uma opinião pessoal não tivesse que ser parcial. Outros dizem que o bom âncora é aquele que não se posiciona, que limita-se a seu papel de ler o teleprompter. Mas, felizmente, a maioria aprova e apoia minha opinião no jornalismo. Dizem que sou a porta voz dos que não têm vez. Defendem que meus comentários, apesar de não serem unânimes, fazem o telespectador pensar a notícia, debater os fatos, sair da inércia e tomar posições. Fico feliz quando me dizem que inspiro estudantes e que mudei o jeito de fazer jornalismo na TV. Devo dizer que não sou precursora do jornalismo opinativo e que, antes de mim, outros colegas (Boris Casoy, Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, J.R. Guzzo, Joseval Peixoto, entre outros) abriram o espaço para esse jornalismo vivo e apaixonante que posso praticar hoje.

Veja opiniões de Rachel Sheherazade



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