Pular para o conteúdo principal

Editorial: A credibilidade em jogo em cada palavra

a Redação 

Folha da Região

Quarta-Feira - 25/05/2011 





O colunista Luís Nassif fez uma reflexão muito importante no texto enviado para publicação, no último domingo, pelos jornais que integram a rede APJ (Associação Paulista de Jornais), incluindo a Folha da Região. Escreveu que "em países de instituições mais avançadas, o escândalo é o ápice do jornalismo. É aquele momento crítico, em que o jornal coloca em jogo sua credibilidade, seu discernimento, sua capacidade de apuração. E cada denúncia é uma pancada, que derruba governos, parlamentares, curva empresas e poderosos.

Por isso mesmo, é matéria rara. Escândalo não dá em árvore. Principalmente o grande escândalo, o que mexe com instituições e o poder". No entender do colunista, no Brasil, o escândalo, qualquer um que seja, tornou-se pauta única, samba de uma nota só.

Ao raciocínio de Luís Nassif é possível adicionar muitas outras considerações e enriquecer ainda mais esse debate. Um veículo de comunicação que se preze coloca a sua credibilidade em jogo não apenas quando publica uma notícia com características de escândalo, mas em cada linha publicada, em cada palavra colocada.

Esse jornalismo responsável é possível praticar não só em países de instituições mais avançadas, até porque não depende apenas de condições técnicas e tecnológicas, mas fundamentalmente da conduta do jornalista. Para isso, a condição sine qua non é o jornalista ser comprometido apenas com o interesse do seu leitor, jamais com instituições ou pessoas alheias ao desempenho natural do seu dever como profissional.

A credibilidade é o maior patrimônio de qualquer veículo de comunicação que se respeita e quer ser respeitado, e leva anos para ser construída. Necessariamente, essa construção só ocorre à base de uma postura independente em todos os aspectos, inclusive o financeiro. Em sã consciência, nenhum empresário do ramo arriscaria essa credibilidade.

Por isso mesmo - e por questão de princípios - esse é um patrimônio que a empresa submete à avaliação popular todo santo dia, em cada linha, em cada palavra. O mesmo vale para o jornalista que, todos os dias, coloca sob análise pública o seu nome - seu maior patrimônio - em cada matéria publicada.

Quanto a noticiar escândalos, definitivamente, isso não depende do jornalista nem da empresa para a qual ele trabalha. Simplesmente depende da ocorrência dos escândalos. É de se lamentar, sinceramente, que no Brasil não seja tão raro aparecer um escândalo aqui, outro ali. E é de se comemorar, efusivamente, o fato de neste País ainda existirem muitos jornalistas que não aceitam esconder esses escandalozinhos debaixo do tapete
.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Doutrina Monroe - Por: Marcos Benedito - 03/01/2026

Onde a Doutrina Monroe foi usada como instrumento de dominação A chamada Doutrina Monroe não surgiu por acaso, nem por boa vontade. Ela foi criada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam se afirmando como nação, mas já pensavam como império em formação. O contexto era claro: países da América Latina estavam se libertando das coroas europeias, especialmente da Espanha e de Portugal, e as grandes potências do Velho Mundo observavam com interesse a possibilidade de retomar influência sobre essas regiões. Foi nesse cenário que os EUA se apresentaram como “protetores” do continente. O discurso oficial dizia que a Europa não deveria mais interferir nas Américas. Soava bonito, até necessário. Mas o objetivo real era outro: afastar os europeus para assumir o controle do território, da política e da economia do continente. Nascia ali a famosa frase: “A América para os americanos.” Só que nunca ficou claro quem eram esses “americanos”. Na prática, a doutrina estabeleceu que nenhum país d...

OBSERVATÓRIO - Imigrantes africanos protestam por direitos humanos em Israel - Do G1, com agências inernacionais

Os imigrantes pedem que o governo conceda a eles o status de refugiado. Enquanto isso, são abrigados em centro penitenciários.                           Munidos de velas e cartazes, imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários. (Foto: Oren Ziv/France Presse)   Imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários e para terem respeitados os direitos humanos. Em um protesto pacíficio, milhares seguram velas e ostentaram cartazes pedidno liberdade. Cerca de 60 mil imigrantes africanos vivem em Israel sem o status de refugiado. Eles são abrigados em centros de detenção, devido a uma lei que passou no parlamento...

Madame Satã, o transformista visto como herói da contracultura e vilão pelo governo Bolsonaro - Daniel Salomão Roque De São Paulo para a BBC News Brasil 26 junho 2021

  bibliOTECA NACIONAL Legenda da foto, Manchete sobre a participação de João Francisco numa fuga penitenciária em 1955. O transformista nutria grande admiração por Carmen Miranda e procurava imitá-la sempre que possível Ao abaixar a cabeça, João Francisco dos Santos, então com 28 anos, viu duas poças se avolumarem no chão de seu quarto — de um lado, as gotas de sangue pingando através de um rasgo em sua sobrancelha direita; do outro, as lágrimas que lhe escorriam pelos cantos dos olhos. Não demorou muito para que ambos os fluidos se misturassem numa poça maior. "A minha pessoa estava feliz demais naquela noite. Eu devia ter desconfiado", recordaria quatro décadas depois, em depoimento ao escritor Sylvan Paezzo (1938-2000). "Já tinha apanhado tanto da danada da vida, que pensei ter chegado a minha boa hora. Aquela demagogia de que não há mal que sempre dure e que depois da tempestade vem a bonança." Corria o ano de 1928, e João Francisco acreditava ter realizado o so...