Onde a Doutrina Monroe foi usada como instrumento de dominação A chamada Doutrina Monroe não surgiu por acaso, nem por boa vontade. Ela foi criada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam se afirmando como nação, mas já pensavam como império em formação. O contexto era claro: países da América Latina estavam se libertando das coroas europeias, especialmente da Espanha e de Portugal, e as grandes potências do Velho Mundo observavam com interesse a possibilidade de retomar influência sobre essas regiões. Foi nesse cenário que os EUA se apresentaram como “protetores” do continente. O discurso oficial dizia que a Europa não deveria mais interferir nas Américas. Soava bonito, até necessário. Mas o objetivo real era outro: afastar os europeus para assumir o controle do território, da política e da economia do continente. Nascia ali a famosa frase: “A América para os americanos.” Só que nunca ficou claro quem eram esses “americanos”. Na prática, a doutrina estabeleceu que nenhum país d...
Jair Bolsonaro soube capitalizar, como poucos, uma fragilidade momentânea da esquerda no Brasil para se firmar como uma alternativa eleitoral viável, num momento específico da história no Brasil. Em um cenário marcado pelo desgaste dos governos petistas e por um ambiente de polarização intensa, Bolsonaro passou a ocupar o espaço simbólico de “oposição à esquerda”, ainda que sua trajetória política jamais tenha representado, de forma orgânica, um projeto sólido e estruturado da direita brasileira. É preciso deixar claro: a direita no Brasil — assim como no mundo — é muito mais ampla do que o bolsonarismo. Ela comporta diferentes correntes ideológicas, visões econômicas, posições institucionais e projetos de país. O bolsonarismo, por sua vez, apresenta características próprias, personalistas e familiares, que frequentemente entram em conflito com os interesses mais amplos do campo direitista. Essas contradições tornam-se ainda mais evidentes quando interesses particulares da família...