Pular para o conteúdo principal

O VOTO LEGÍTIMO DE FUX - MARCOS BENEDITO - 10/09/2025 - CANAL DE VOZ

O ministro Luiz Fux, indicado à Suprema Corte pela ex-presidenta Dilma Rousseff, surpreendeu durante mais um dia de julgamento envolvendo Jair Bolsonaro e demais acusados. Ele levantou uma questão sobre a suposta falta de legitimidade do STF em conduzir o processo.

No entanto, paradoxalmente, o voto de Fux acaba fortalecendo a legitimidade da corte. Isso porque demonstra que não existe um posicionamento previamente combinado ou um artifício para fechar questão em torno da culpabilidade dos réus. Ao contrário: a manifestação do ministro evidencia que cada integrante do Supremo exerce plena liberdade para expressar sua opinião e fundamentar seu voto de acordo com sua interpretação da lei e da Constituição.

Esse episódio deixa claro que o STF não atua de forma engessada ou partidária, mas como uma corte plural, na qual coexistem diferentes entendimentos jurídicos. Assim, o julgamento ganha maior legitimidade justamente pela transparência e pela independência de cada magistrado.

A oposição, que frequentemente acusa o Supremo de perseguição ou alinhamento político, acaba refutada por fatos como esse: a divergência de Fux comprova que a decisão da corte é fruto do livre convencimento de seus ministros, dentro do devido processo legal.

Fundamentos jurídicos que reforçam a legitimidade e liberdade do voto no STF:

1. Constituição Federal – Art. 93, IX: assegura que “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões”, garantindo transparência e publicidade.

2. Constituição Federal – Art. 95, I: estabelece a vitaliciedade e independência funcional dos magistrados, o que lhes permite julgar sem pressões externas

3. Constituição Federal – Art. 2º: determina a independência e harmonia entre os poderes, reforçando que o STF não está sujeito a outros poderes políticos

4. Princípio do Livre Convencimento Motivado (art. 371 do CPC): cada juiz deve decidir de acordo com sua convicção, desde que fundamente seu voto com base na lei e nos autos.

5. Art. 5º, LIV e LV da CF: garantem o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, pilares que tornam o julgamento legítimo e democrático.

Em síntese, o voto de Fux, ao divergir ou questionar, não fragiliza — mas fortalece o Supremo. Mostra que a corte atua em consonância com os princípios constitucionais da transparência, da independência judicial e da pluralidade de interpretações, assegurando que as decisões sejam fruto do debate jurídico, e não de interesses políticos.

Marcos Benedito é presbítero, compositor, cantor e instrumentista. Congrega na I.M.P.Chama Viva do Jardim Real na Praia Grande. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Doutrina Monroe - Por: Marcos Benedito - 03/01/2026

Onde a Doutrina Monroe foi usada como instrumento de dominação A chamada Doutrina Monroe não surgiu por acaso, nem por boa vontade. Ela foi criada em 1823, quando os Estados Unidos ainda estavam se afirmando como nação, mas já pensavam como império em formação. O contexto era claro: países da América Latina estavam se libertando das coroas europeias, especialmente da Espanha e de Portugal, e as grandes potências do Velho Mundo observavam com interesse a possibilidade de retomar influência sobre essas regiões. Foi nesse cenário que os EUA se apresentaram como “protetores” do continente. O discurso oficial dizia que a Europa não deveria mais interferir nas Américas. Soava bonito, até necessário. Mas o objetivo real era outro: afastar os europeus para assumir o controle do território, da política e da economia do continente. Nascia ali a famosa frase: “A América para os americanos.” Só que nunca ficou claro quem eram esses “americanos”. Na prática, a doutrina estabeleceu que nenhum país d...

OBSERVATÓRIO - Imigrantes africanos protestam por direitos humanos em Israel - Do G1, com agências inernacionais

Os imigrantes pedem que o governo conceda a eles o status de refugiado. Enquanto isso, são abrigados em centro penitenciários.                           Munidos de velas e cartazes, imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários. (Foto: Oren Ziv/France Presse)   Imigrantes africanos em Israel foram às ruas da capital Tel Aviv, neste sábado (28), para protestar contra ações do governo que os têm confinado em centros penitenciários e para terem respeitados os direitos humanos. Em um protesto pacíficio, milhares seguram velas e ostentaram cartazes pedidno liberdade. Cerca de 60 mil imigrantes africanos vivem em Israel sem o status de refugiado. Eles são abrigados em centros de detenção, devido a uma lei que passou no parlamento...

Madame Satã, o transformista visto como herói da contracultura e vilão pelo governo Bolsonaro - Daniel Salomão Roque De São Paulo para a BBC News Brasil 26 junho 2021

  bibliOTECA NACIONAL Legenda da foto, Manchete sobre a participação de João Francisco numa fuga penitenciária em 1955. O transformista nutria grande admiração por Carmen Miranda e procurava imitá-la sempre que possível Ao abaixar a cabeça, João Francisco dos Santos, então com 28 anos, viu duas poças se avolumarem no chão de seu quarto — de um lado, as gotas de sangue pingando através de um rasgo em sua sobrancelha direita; do outro, as lágrimas que lhe escorriam pelos cantos dos olhos. Não demorou muito para que ambos os fluidos se misturassem numa poça maior. "A minha pessoa estava feliz demais naquela noite. Eu devia ter desconfiado", recordaria quatro décadas depois, em depoimento ao escritor Sylvan Paezzo (1938-2000). "Já tinha apanhado tanto da danada da vida, que pensei ter chegado a minha boa hora. Aquela demagogia de que não há mal que sempre dure e que depois da tempestade vem a bonança." Corria o ano de 1928, e João Francisco acreditava ter realizado o so...