A trajetória profissional da jornalista Maria Júlia Coutinho é digna de toda admiração de quem a acompanha: trata-se de profissional séria, competente com uma brilhante carreira na TV Globo, onde ocupa o papel de “moça do tempo” do Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência. As celebrações nas redes sociais pela sua aparição na bancada do telejornal como a primeira mulher negra a ocupar este espaço, neste sábado (16/02), não podem ser vistas, senão como a repetição de um equívoco recorrente de quem considera que avançamos aceitando o modelo de inclusão em que negros são reduzidos à símbolos, alegorias, adereços de mão. A luta pela verdadeira inclusão da população negra brasileira aos direitos básicos da cidadania, direitos que vem sendo negados desde a Abolição incompleta ocorrida em um 13 de maio, há 131 anos, não pode se resumir ao território do simbólico. E por uma razão simples: esse é exatamente o modelo de inclusão das classes dominantes brasileiras, dos herdei...
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