Há 30 anos, assassinato brutal interrompeu vida do jamaicano Peter Tosh, mas sua obra ainda ecoa - POR JAIR DOS SANTOS CORTECERTU - POR: ACERVO FOLHA DE SÃO PAULO
“Minhas músicas vêm da experiência pessoal e fraternal, o que significa comunidade, fraternidade e nacionalidade. Faço música para conscientizar as pessoas.” Frases como esta, proferida por Peter Tosh, ícone do reggae assassinado no dia 11 de setembro de 1987 , são frequentes no mundo da música engajada, mas estão diluídas no mercado musical –hoje dominado pelas playlists em plataformas de streaming– e ganham outras formas para conquistar um público sedento por diversão. Como a obra de Tosh registra, falar sobre desigualdade e direitos humanos não combina com o clima festeiro dos artistas da música pop daquela época e de hoje. A leitura que Tosh fazia da música já identificava o risco de que o compromisso social pudesse ser usado para dar lucro às empresas que estão de olho na segmentação do mercado e nas exigências de grupos sociais historicamente excluídos. Hoje, o lugar de fala, a discussão sobre empoderamento e o questionamento de privilégios passaram a entrar na paut...